Quarta-feira, 29 Abril, 2026
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    Do prato ao lixo: a urgência de travar o desperdício alimentar

    Um problema ambiental, económico e social

    O desperdício alimentar continua a representar um grave problema ambiental, económico e social. Em Portugal, são desperdiçadas mais de 1 milhão de toneladas de alimentos por ano, sendo os agregados familiares os principais responsáveis.

    Este fenómeno compromete a segurança alimentar e agrava a pressão sobre os recursos naturais. Estima-se que, diariamente, 274 mil quilos de comida sejam deitados fora no país – quantidade suficiente para alimentar as 360 mil pessoas com carências alimentares, segundo o movimento Unidos Contra o Desperdício.

    Quem mais desperdiça alimentos em Portugal

    Em Portugal, os lares são responsáveis por 31% do desperdício alimentar, seguidos pela agricultura, pelo retalho e pela indústria. A principal causa do desperdício alimentar em causa é a interpretação incorreta dos prazos de validade, aliada ao armazenamento inadequado dos alimentos. De acordo com especialistas, é essencial distinguir os rótulos:

    Saber ler os rótulos faz a diferença

    • “Consumir até” indica um limite se segurança alimentar e não deve ser ultrapassado (ex: carne e peixes frescos).
    • “Consumir de preferência antes de” refere-se à qualidade do produto, podendo ser consumido após essa data se bem conservado.
      Nestes casos, recomenda-se avaliar os alimentos através do aspecto, cheiro e sabor.

    Impactos ambientais, económicos e sociais

    As consequências do desperdício alimentar são profundas. Na UE, este fenómeno é responsável por 16% das emissões de gases com efeitos de estuda do sistema alimentar e gera prejuízos económicos que podem atingir os 132 milhões de euros por ano. Socialmente, o contraste é evidente: 33 milhões de europeus não conseguem pagar uma refeição completa de dois em dois dias, enquanto toneladas de alimentados são desperdiçados.

    Metas europeias para reduzir o desperdício

    A União Europeia tem vindo a reforçar o combate ao problema. Em 2025, foi alcançado um acordo provisório para estabelecer metas juridicamente vinculativas, com vista à redução de 10% do desperdício alimentar na produção, transformação, retalho, restauração e nos agregados familiares.

    A mudança começa em casa

    A mudança começa em casa. Práticas como planear as compras, armazenar corretamente os alimentos, aproveitar integralmente os ingredientes e fazer compostagem podem reduzir significativamente o desperdício. Paralelamente, iniciativas como o REFOOD, a aplicação Too Good To Go e programa de supermercados para reaproveitamento de excedentes demonstram que combater o desperdício alimentar é possível – e urgente.

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