Quarta-feira, 29 Abril, 2026
More

    Redes sociais: como usar sem perder a saúde mental

    Redes Sociais: estratégias simples para um uso mais saudável

    Nunca estivemos tão conectados como hoje. As redes sociais aproximaram-nos de quem está longe, mas também transformaram a forma como nos vemos, como nos comparamos e como nos relacionamos.

    Segundo a psicóloga clínica Cátia Silva, Supervisora pela Ordem dos Psicólogos Portugueses, o uso excessivo das redes sociais está a deixar marcas reais, sobretudo entre os mais jovens.

    “Ansiedade, insónia, baixa autoestima, dependência emocional, dificuldades de concentração e sensação de solidão” são algumas das consequências de um simples scroll.

    Estudos confirmam que passar mais de duas horas por dia nas redes sociais aumenta os níveis de ansiedade e sintomas depressivos, especialmente em adolescentes. O fenómeno do FOMO (Fear of Missing Out), medo de estar a perder algo, intensifica a dependência e a sensação de exclusão.

    A comparação e a desconexão da realidade

    No feed, desfilam corpos perfeitos, viagens de sonho e rotinas inspiradoras. Mas quase sempre estas imagens estão editadas, filtradas e cuidadosamente construídas. A comparação constante alimenta sentimentos de insuficiência e frustração, corroendo a autoestima e fragilizando a relação com o próprio corpo.

    “Quando nos comparamos, também nos desconectamos de quem somos”, explica Cátia Silva. “Essa desconexão afeta o humor e a forma como nos vemos. A exposição diária a padrões irreais pode levar a distúrbios alimentares como anorexia e bulimia, sobretudo em adolescentes e mulheres.”

    O vício digital e a perda de presença

    As redes foram desenhadas para nos prender: o scroll infinito, as notificações e os vídeos curtos ativam o sistema de recompensa do cérebro, de forma semelhante aos vícios comportamentais. O resultado? Uma sociedade mais distraída, com foco fragmentado e dificuldade em manter conversas, estudar ou descansar.

    “Estamos sempre ligados, mas muitas vezes ausentes de nós próprios”, alerta a psicóloga. “As interações online, apesar de numerosas, são frequentemente superficiais. Quando substituem o contacto presencial, aumentam os sentimentos de solidão e desconexão.”

    Os jovens: os mais vulneráveis

    O cérebro adolescente ainda está em desenvolvimento e o córtex pré-frontal, responsável pelo controlo emocional, só amadurece por volta dos 25 anos. Isso torna os jovens mais vulneráveis à impulsividade e à procura de validação externa.

    Entre 2010 e 2019, os casos de depressão em adolescentes aumentaram 52% nos EUA, num período que coincidiu com a massificação das redes sociais.

    Como criar uma relação mais saudável com as redes?

    Apesar dos riscos, as redes sociais também abriram oportunidades: aproximaram famílias, criaram comunidades de apoio e tornaram o conhecimento científico mais acessível. O impacto, segundo Cátia Silva, depende do modo como usamos estas plataformas.

    Eis algumas estratégias simples para um uso mais equilibrado:

    • Defina limites de tempo: use ferramentas de controlo de ecrã e limite o uso pessoal a 1–2 horas por dia.
    • Crie zonas livres de ecrã: evite redes sociais na cama, durante as refeições ou logo ao acordar.
    • Faça uma limpeza digital: silencie perfis que gerem comparação ou sentimentos de inferioridade.
    • Substitua o scroll automático: sempre que notar o gesto repetitivo, pare, respire e questione-se sobre o que realmente precisa naquele momento.
    • Pratique detoxes digitais: reserve um dia por semana sem redes ou um fim de semana por mês para reconectar consigo.

    Não percas