Quarta-feira, 29 Abril, 2026
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    Obesidade infantil já ultrapassa a subnutrição no mundo, alerta UNICEF

    UNICEF alerta: obesidade já supera a subnutrição entre crianças e adolescentes

    Pela primeira vez na história, a obesidade ultrapassou a subnutrição entre crianças e adolescentes em idade escolar. O alerta foi lançado pela UNICEF, que considera este fenómeno um sinal preocupante de má nutrição, resultado da crescente dependência de alimentos ultraprocessados.

    De acordo com o relatório Feeding Profit: How Food Environments are Failing Children, divulgado esta semana, uma em cada 10 crianças e jovens entre os 5 e os 19 anos vive com obesidade — cerca de 188 milhões em todo o mundo. Este número reflete riscos sérios para a saúde, incluindo diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares e até alguns tipos de cancro.

    Os dados revelam uma inversão completa da tendência observada nos últimos 25 anos: em 2000, quase 13% das crianças em idade escolar tinham baixo peso e apenas 3% eram obesas;

    Hoje, a obesidade atinge 9,4% e supera o baixo peso, que desceu para 9,2%. Em pouco mais de duas décadas, a prevalência da obesidade infantil triplicou.

    O caso da África do Sul é destacado como “profundamente preocupante”: entre crianças com menos de 5 anos, a taxa de excesso de peso passou de 13% em 2016 para 23% em 2024. Já entre os 5 e os 19 anos, a obesidade mais do que triplicou, saltando de 2% para 7%.

    Segundo a UNICEF, esta realidade está diretamente ligada à substituição de alimentos frescos e nutritivos por produtos ultraprocessados, cada vez mais acessíveis e promovidos de forma agressiva. Um inquérito global realizado em 2024 mostrou que 75% dos jovens entre os 13 e os 24 anos viram publicidade de refrigerantes, snacks ou fast-food apenas na última semana, e 60% admitiram que essa exposição aumentou a vontade de consumir esses produtos.

    O impacto é ainda maior nas famílias com menos recursos, que recorrem com mais frequência a refeições rápidas e baratas. Esta tendência preocupa especialistas em todo o mundo: nos Estados Unidos, por exemplo, 20% das crianças e adolescentes já vivem com obesidade, o que representa 14,7 milhões de jovens.

    Se não forem tomadas medidas urgentes, a UNICEF prevê que os custos associados à obesidade ultrapassem os 4 biliões de dólares por ano até 2035, pressionando os sistemas de saúde e as economias nacionais.

    Como resposta, o relatório propõe medidas firmes: proibição da venda e publicidade de ultraprocessados nas escolas, rotulagem clara e obrigatória, restrição de marketing alimentar dirigido a menores e programas de apoio às famílias vulneráveis, garantindo o acesso a dietas nutritivas. A organização alerta ainda para a necessidade de proteger as políticas públicas da influência da indústria alimentar, colocando a saúde das crianças acima dos lucros corporativos.

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